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Minha experiência solicitando o visto estadunidense

O visto dos EUA é tido como bastante restrito. De fato, por razões geopolíticas e de interesse nacional, existe um grande esforço por parte das autoridades de imigração estadunidenses em evitar a entrada de estrangeiros que pretendam se estabelecer ilegalmente no país. Isso não significa, entretanto, que os EUA não queiram conceder o visto para estrangeiros que demonstrem interesse em visitar o país para turismo, tratamento médico, estudos, participação em eventos, entre outros.

Bom, pelo menos até a Administração Obama, essa era a realidade. Se o presidente Donald Trump vai cumprir as promessas (ou seriam ameaças?) de campanha, só o tempo dirá. Pode ser que as coisas mudem no próximo mandato…

Alerta: este relato NÃO deve ser entendido como um guia de procedimentos para a entrevista de solicitação de visto para os EUA. Meu único propósito ao escrever este post é o de contar como foi minha experiência conduzindo todo o processo por conta própria, sem ajuda de despachantes, para obter o visto do tipo B-2. Tenha em mente que o formulário DS-160, cujo preenchimento é obrigatório, é todo em inglês.

Preparação

Bom, a primeira coisa que eu fiz foi ler a respeito dos tipos de visto disponíveis. Tomei o cuidado de buscar apenas informações oficiais, pois muito blogs de viagem possuem informações desatualizadas. Descobri, assim, que eu precisaria solicitar o visto B-2, pois me encaixava no perfil de não-imigrante com finalidade de turismo.

Verifique aqui qual o visto necessário para você, de acordo com suas necessidades.

Formulário

O passo seguinte, foi separar a documentação necessária (passaporte, currículo e itinerário de viagem),  e criar meu login para preencher o formulário DS-160. O preenchimento se dá obrigatoriamente pelo site; não existe opção de imprimir e enviar pelo correio.

Você pode criar seu login e iniciar o preenchimento aqui.

Este formulário pode ser considerado o grande vilão do processo. Cerca de 60% dos vistos negados devem-se a erros de preenchimento ou inconsistências nesta etapa.

Depois que você concluir o preenchimento, receberá uma confirmação de recebimento. Essa mensagem deverá ser impressa para ser levada pessoalmente no dia da entrevista.

Dica: o preenchimento do DS-160 toma muito tempo (algumas horas, se você o estiver preenchendo pela primeira vez). Salvo engano, são 20 páginas de perguntas e você precisa tomar muito cuidado para não errar. Depois de ver a página “expirar” algumas vezes, eu aprendi o segredo: a cada página preenchida, eu salvava o conteúdo antes de avançar.

Agendamento da entrevista

Assim que concluir o DS-160, é hora de agendar a entrevista através desse link.

Bom, aqui cabe ressaltar que são, na verdade, dois compromissos distintos que não podem ser agendados para o mesmo dia.

Primeiramente, você deverá comparecer a um Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (CASV) para apresentar seu agendamento e tirar a foto que será usada no visto e colher as impressões digitais.

Em outra data (que pode ser no dia seguinte), você deverá comparecer ao Consulado do Estados Unidos da América de sua escolha. As opções são Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Como eu não moro em nenhuma destas cidades, optei pela mais próxima e agendei o compromisso do CASV para uma segunda-feira e a entrevista no Consulado para o dia seguinte.

Depois de Agendar sua vista ao CASV e Consulado Americano, imprima a Confirmação do Agendamento.

Dia 1: CASV em São Paulo (Vila Mariana)

Este primeiro compromisso se resume a sentar-se em frente a uma bancada, tirar a fotografia do visto e coletar as impressões digitais.

Logo na chegada ao edifício do CASV, fui abordado por um funcionário que me orientou a ter em mãos apenas o passaporte e a confirmação de agendamento em mãos ao entrar no edifício, e a desligar completamente o telefone celular.

Ele ainda alertou  que no Consulado (no dia seguinte), não seria permitido entrar com mochila, mas que existiam serviços de guarda-volumes nas proximidades.

Entrando no edifício, o atendimento foi muito ágil. Em menos de 15 minutos, tudo estava concluído.

Dia 2: Consulado em São Paulo (Chácara Santo Antônio)

Esse sim é o ápice do processo de concessão do visto. É o momento em que efetivamente será decidido pelo sim ou pelo não.

Programei-me para chegar com bastante antecedência, mas logo percebi que o “horário de agendamento” era apenas uma vaga referência.

O que acontece, de fato, é que o Consulado agenda grupos de até 50 pessoas para o mesmo horário, dependendo da demanda. Isso significa uma longa fila para entrar no edifício e uma ainda maior para aguardar ser chamado no guichê.

Depois de mais de uma hora de espera, finalmente estive frente a frente com o entrevistador.

Passei-lhe meu passaporte por baixo do vidro que nos separava e aguardei sua orientação. Ele abriu o documento em uma página aleatória e começou os questionamentos.

– Você já esteve no Camboja?

Achei bastante estranho, mas logo percebi que isso fazia parte da técnica de investigação.

O que você foi fazer lá? Quanto tempo ficou? Como pagou a viagem?

Respondi tudo com calma e clareza.

Sua próxima investida foi a respeito de minha intenções nos Estados Unidos: o que eu pretendia fazer, se tinha família morando por lá e quantos dias pretendia ficar. Expliquei-lhe a respeito da Expedição Trotaméricas. Nesse momento, ele passou a fazer perguntas bastante específicas e, vez por outra, perguntava a mesma coisa duas vez (provavelmente para ver se eu entrava em contradição). Perguntou, por exemplo, duas vezes por onde eu entraria nos EUA. Na segunda vez, perguntou o nome da cidade mexicana, do outro lado da fronteira. Felizmente eu estava “preparado”.

Por fim, ele perguntou sobre minha vida no Brasil: com o que eu trabalhava, principalmente. Expliquei que era economista e que havia pedido dispensa do trabalho para realizar a viagem. Eu achei que ele iria perguntar mais a respeito de bens materiais, mas foi mais ou menos nesse momento que ele encerrou o interrogatório. Bateu um nervosismo grande, principalmente quando ele pediu para que eu pegasse o interfone (até então estávamos conversando e as pessoas ao redor ouviam normalmente).

Pensei comigo mesmo: “Pronto, é agora que ele vai dizer que o visto foi negado.”

Felizmente, eu estava errado. O agente consular apenas passou um conselho, no melhor estilo amigão. Disse para eu tomar cuidado na travessia da fronteira pros Estados Unidos, para que o carro não ficasse sozinho em nenhum momento, pois se alguma droga fosse encontrada, eu estaria em “big trouble”.

Bom, foi basicamente isso. Nesse momento nos despedimos, e eu saí aliviado por ter dado tudo certo.

Entrega do visto

Existem duas opções: você pode buscá-lo pessoalmente, no próprio Consulado, ou recebê-lo em casa, pelo correio. Optei por recebê-lo em casa, pois eu já havia perdido dois dias de trabalho e não poderia permanecer mais tempo em São Paulo.

É isso aí, galera. O visto americano gerou um pouco de apreensão, mas acabou dando tudo certo e deu pra economizar a grana que alguns escritórios e agências de viagens cobram pra dar uma ajudinha.

Em tempo, se você pretende solicitar vistos de EUA e Canadá no mesmo período, é melhor que faça primeiro o dos Estados Unidos. No procedimento canadense é solicitado se você já teve visto concedido pelo governo dos Estado Unidos da América. Isso provavelmente é levado em consideração para agilizar o processo.

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Atualização: o post acima não contempla eventuais mudanças ocorridas após a eleição de Donald Trump para o governo dos Estados Unidos da América.

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