Curiosidades dos 100 primeiros dias na estrada!

Nem parece, mas o 17 de novembro de 2016 já é um dia distante no calendário. Naquela manhã de quinta-feira – partindo de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul -, iniciava-se a tão sonhada Expedição Trotaméricas.

Muita coisa aconteceu desde então. Muita mesmo! Então, para comemorar esse marco de 100 dias viajando, decidi responder as perguntas que mais me fazem a respeito da viagem.

Vamos lá, comecemos pelo começo: cem dias é tempo pra caramba! Não seria nada fácil lembrar tudo que aconteceu nesse período, mas felizmente tenho meu caderninho de anotações e uma planilha de Excel completinha pra me ajudar.

Primeira pergunta que mais escuto:

Como você consegue viajar tanto tempo? De onde tira a grana?

Bom, sou um assalariado como a imensa maioria dos brasileiro. Não venho de família rica e pago todos os custos da viagem com meu próprio dinheiro. Ah, e não tenho um grande salário também: para realizar a Expedição Trotaméricas eu precisei economizar durante quase 2 anos e pedir uma licença não-remunerada do trabalho. Ou seja, a viagem é financiada com economias e um pequeno sacrifício de ficar um ano inteiro sem salário.

E o site, não dá dinheiro?

A ideia do site surgiu como o propósito de compartilhar as experiências da viagem e eternizar minhas próprias memórias. Momentaneamente não recebo nenhuma renda pela elaboração de conteúdo, mas conto com o apoio da Brasil na Web, quem me oferece o domínio e a plataforma de gerenciamento gratuitamente.

Qual o país em que você passou mais tempo?

Até agora o Peru é o líder isolado com 43 dias. Foi o primeiro país inédito da viagem, o melhor custo-benefício, a melhor gastronomia, o lugar onde passei a viajar num ritmo mais sossegado depois de uma alucinada jornada pela Patagônia… enfim, foi um lugar muito especial onde eu me reencontrei com o Rafa mochileiro que tanto me faz evoluir como ser humano e vivenciar experiências únicas.

Onde você dorme?

Bom, isso “vareia”. No começo da viagem, quando eu ainda viajava de carro com o Tim, pernoitávamos muito no próprio veículo para contrabalançar o elevado gasto com combustível, pedágios e seguros. Posteriormente, passei a usar mais o Couchsurfing e o Workaway como formas de acomodação solidária e imersão cultural.

O curioso é que a soma de todas as formas de pernoite pago (pousada, camping e dormitório) é de apenas 32 noites! Isso ajuda a explicar a média díaria de despesas com acomodação inferior a 5 reais!

É muito caro viajar pela América do Sul? Onde você gastou mais? E onde gastou menos?

Para nós brasileiros, viajar pela América do Sul é relativamente barato. Com um orçamento diário de 50 dólares americanos dá pra viajar com bastante conforto. Eu tento usar esse valor como limite máximo. Minha meta de gastos fica na faixa de 25 a 30 dólares/dia.

No Chile, viajando de carro, o gasto médio diário de 33,88 dólares (aprox. R$ 110). Foi a despesa mais mais alta dentre todos países até agora e o principal motivo foi o grande número de pedágios e travessias com balsa (sobretudo na Carretera Austral). Ironicamente, não gastei quase nada com hospedagem durante minha estadia por lá, pois tenho muitos amigos no país.

O país mais barato foi o Peru: gasto médio diário de apenas 18,21 dólares (aprox. R$ 60). As principais razões de ter tido uma estadia com custo tão baixo foram o início da etapa mochilão e o período de duas semanas em Lima, trabalhando em um hostal (Workaway) e em um restaurante (estágio como assistente de cozinha).

E o que você mais gostou até agora?

Foram tantos lugares maravilhosos que uma única lista certamente excluiria lugares interessantíssimos. Simplesmente não dá pra responder esse tipo de pergunta de forma definitiva, pois cada paisagem e experiência tem o seu encanto. Acho que a forma mais honesta seria escolher alguns destaques dentre cada tipo de atração.

Eu gosto muito de natureza e aventura, então naturalmente lembro antes de paisagens distantes das grandes cidades. Isso não quer dizer, entretanto, que eu não tenha gostado de Buenos Aires, Santiago e Lima, por exemplo.

Enumerarei alguns destaques abaixo:

Paisagens inóspitas:

  1. Salinas Grandes, Jujuy, Argentina.
  2. Pico Truncado, Santa Cruz, Argentina.
  3. Ruta 40, entre El Chaltén e Bajo Caracoles, Santa Cruz, Argentina.

Aventura:

  1. Escalada do Nevado Mateo, Trekking Santa Cruz e Laguna 69 (PN Huascarán, Peru)
  2. Trilha do Mirante base das Torres del Paine (PN Torres del Paine, Chile)
  3. Trilha Hidrelétrica-Wayna Picchu (Vale Sagrado dos Incas, Peru)

Cultura e Arquitetura

  1. Conjunto de sítios arqueológicos pré-colombianos (Machu Picchu, Chavín de Huántar, Chan Chan, entre outros), Peru
  2. Praça central de Trujillo, La Libertad, Peru
  3. Museu de Arte Latinoamericana (MALBA), Buenos Aires, Argentina
Uma das praças mais bonitas que já vi, em Trujillo.

Qual foi o lugares com o nome mais bizarro?

Dois lugares com nomes estranhíssimos que visitei ficam no Chile: Puerto del Hambre (“Porto da Fome”) e Peor es Nada (“Nada é pior”). O primeiro tem sua origem num trágico naufrágio, no qual cerca de vinte marinheiros aguardaram meses por socorro. O segundo, tem a ver com uma herança que veio menos generosa que o esperado.

Também achei muito engraçada a localidade de Panduro, na Bolívia.

A Expedição Trotaméricas visitou algum Patrimônio da Humanidade?

Sim, até agora foram 19 sítios reconhecidos pela UNESCO como Patrimônios Culturais ou Naturais da Humanidade:

2 no Uruguai – Colônia do Sacramento e Fray Bentos;

5 na Argentina –PN Los Glaciares, Cueva de las Manos, PN Península Valdés, PP Ischigualasto e Quebrada de Humahuaca;

1 no Chile – Valparaíso;

2 na Bolívia – Potosí e Sucre;

8 no Peru –Cusco, Machu Picchu, Chavín de Huántar, PN Huascarán, Chan Chan, Lima, Arequipa e Qhapac Ñan;

e 1 no Equador – Cuenca.

Qual o lugar mais alto que você chegou? E o mais baixo?

Estive em duas montanhas com praticamente a mesma altitude – 5.150 metros sobre o nível do mar -, ambas no Peru. Seus nomes são Nevado Mateo e Vinicunca (Montanha Arco-Íris).

O ponto mais baixo está em uma grande depressão na Patagônia Argentina. Seu nome é Gran Bajo San Julián e está a quase 100 metros abaixo do nível do mar.

Alguma experiência inédita?

Oxe, diversas! Talvez as mais inusitadas estejam relacionadas com trabalho ao longo da viagem. No Peru trabalhei em um hostel e na cozinha de um restaurante. Atualmente, no Equador, estou sendo voluntário em um projeto relacionado com sustentabilidade, na cidade de Catamayo. Pretendo ficar aqui até o final do Carnaval.

Alguma curiosidade marcante? Algo que deu errado…

Uma das coisas mais bacanas ocorreu em Puerto Madryn, Argentina, onde conheci um mochileiro cego que viajava o mundo sozinho. Um verdadeiro exemplo de superação!

Outras lembranças não são tão legais: a Ceia de Natal de 2016 certamente foi a mais desastrada que já vivi, por exemplo. Praticamente tudo que podia dar errado, de fato deu! Viajando de carro, acompanhado do Tim, demoramos demais a encontrar um posto de gasolina para montar acampamento. Quando apenas havíamos decidido onde estacionar o carro, as luzes do local se apagaram subitamente, deixando-nos no breu total. Ao abrir o porta malas, descobrimos que o azeite e as bebidas alcóolicas haviam sido derramados dentro da caixa de alimentos. Sem outra opção de janta, preparamos um simples macarrão com atum enlatado enquanto os pernilongos nos comiam vivos. Fomos dormir logo em seguida, irritados e sem esperar a meia-noite. Sem birita também, claro. Melhor esquecer!

Ah, e na entrada da Bolívia, deparei-me com a força policial mais corrupta que tenho notícia. Em pouco mais de uma hora, foram TRÊS tentativas de extorsão.

Mas prefiro lembrar das coisas boas. E como disse acima, tive a oportunidade de trabalhar em um restaurante, no Peru. Especializar-me em gastronomia andina era um dos meus objetivos na Expedição Trotaméricas. E tudo aconteceu de forma quase inacreditável. Chegando a Lima, consegui uma indicação para oportunidade de trabalho em um restaurante na primeira conversa que tive. No dia seguinte, já estava trabalhando!

Qual o seu maior aprendizado até agora?

Em uma viagem longa, como na vida, inúmeras são as situações nas quais é preciso flexibilizar metas. Ao fim e ao cabo, não se trata de quantas cidades você visitou, mas de quão profundamente você viveu as experiências do caminho.


E aí, gostou do Resumão desses 100 dias? Esqueci de alguma informação importante? Deixe seu comentário!

Abraços de Catamayo, Equador, e até a próxima!

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