Visitando Chavín de Huántar

No primeiro post sobre Huaraz e a Cordilheira Branca falei sobre a aventura que foram os 41 km do Trekking Santa Cruz. Neste, falarei sobre uma atração cultural, também próxima de Huaraz e que serve como complemento para uma estadia na bela Cordilheira Branca.

Estou falando de Chavín de Huántar, um sítio arqueológico reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1985, local de culto de uma das mais significativas civilizações pré-incaicas.

Uma breve contextualização

A cultura chavín se desenvolveu entre 1.500 e 300 AC, na região dos Andes centrais peruanos. Sua organização social era baseada no intercâmbio e no manejo de ecossistemas. Eram especialistas em fenômenos climáticos e ciclos agrícolas.

Convenientemente, já que dominavam também outros povos, os chavíns estabeleceram uma ordem teocrática: os deuses eram apresentados como agentes de prosperidade, mas ao mesmo tempo como autoridades que exigiam tributos, oferendas e sacrifícios.

Um dos símbolos de Chavín de Huántar são as famosas cabeças-clavas que adornavam as muralhas. Das mais de 100 unidades, hoje resta apenas uma no local original.
Um dos símbolos de Chavín de Huántar são as famosas cabeças-clavas que adornavam as muralhas. Das mais de 100 unidades, hoje resta apenas uma no local original.

Como chegar a Chavín de Huántar

A forma mais econômica de chegar a Chavín de Huántar é, felizmente, também a mais proveitosa.

Através de um dos diversos tours básicos (sem almoço) oferecidos na cidade de Huaraz ao preço médio de 25-30 soles, é possível contratar de uma só vez o transporte e o serviço de um guia com conhecimentos de história e arqueologia, além de uma parada no caminho para visitar a Laguna Querococha.

A lagoa em si não é nada excepcional quando comparada às outras lagoas da região, mas está localizada ao lado de uma falha geológica de formato singular e vale a parada para fotografia.

Uma curiosa falha geológica a caminho de Chavín de Huántar possui o formato do mapa do Peru.
Uma curiosa falha geológica a caminho de Chavín de Huántar possui o formato do mapa do Peru.
Laguna Querococha

Seguindo viagem, cruza-se o Túnel de Cahuish (Kawish), localizado pouco antes do Callejón de Huaylas, a 4.516 metros sobre o nível do mar. Dali, a descida é bastante íngreme, com curvas fechadas, até a chegada ao sítio arqueológico.

Como funciona a visita

A visitação de Chavín de Huántar ocorre de forma guiada, mas isso está longe de ser um problema. Por conta própria, o visitante dificilmente teria acesso a todas informações oferecidas pelo profissional de turismo.

Explicação prévia diante de uma maquete de Chavín de Huántar.
Explicação prévia diante de uma maquete de Chavín de Huántar.

Depois de demonstrar a organização geral do complexo, o guia percorrerá com o grupo os diversos edifícios.

As ruínas chavines impressionam em diversos aspectos arquitetônicos e simbólicos, sendo constituídas por pirâmides, praças, terraços, portões e escadarias. O material utilizado para sua construção foram pedras retiradas do próprio local.

Um das maiores atrações é a interessante rede de túneis subterrâneos que utilizava a correnteza do rio para criar um efeito  sonoro atemorizador. Diz-se que os peregrinos que visitavam o local para participar de cerimônias religiosas assustavam-se com o ruído que lembrava um puma. Em tais ocasiões, era costumeiro fazer uso do cactus alucinógeno São Pedro.

Em uma das salas subterrâneas encontra-se o Lanzón Monolítico, uma escultura de 4,5 metros de altura que servia como divindade para a civilização chavín e para os povos que lhes deviam tributos. Os chavines eram politeístas e diversas outras representações divinas, como a da Estela Raimondi podem ser admiradas ao longo da visita.

Para percorrer as galerias subterrâneas, os grupos são divididos. Fotografias neste setor são proibidas e claustrofóbicos são estimulados a permanecerem do lado de fora.

Réplica do Lanzón, na parte externa do museu. O original encontra-se dentro da rede de túneis subterrâneos, onde fotografias são proibidas.
Réplica do Lanzón, na parte externa do museu. O original encontra-se dentro da rede de túneis subterrâneos, onde fotografias são proibidas.
A Estela Raimondi representa um deus com múltiplos braços.
A Estela Raimondi representa um deus com múltiplos braços.

Depois de finalizado o périplo chavín, é hora de almoçar e retornar para Huaraz.

Minhas dicas

  • Para quem gosta de história e arqueologia, Chavín de Huántar é uma visita imperdível na região de Huaraz.
  • Compre o passeio na mesma agência dos trekkings e peça um desconto.
  • Em época de chuvas, de outubro a abril, não esqueça de levar sua jaqueta impermeável ou capa de chuva. Você não vai querer apressar a visita apenas para evitar de se molhar.
  • Se possível, evite os finais de semana e feriados quando há grande afluxo de turistas peruanos (e consequentemente maior dificuldade para aproveitar a visita aos estreitos túneis).
  • Na saída das ruínas encontram-se algumas tendas de artesanato, mas os preços são mais altos que em Huaraz e Lima.
  • Os restaurantes escolhidos pelas agências provavelmente pagam comissão e por isso também são mais caros. Se você quer economizar, pode levar um lanche preparado em Huaraz ou comer um ceviche de chocho, prato típico da região que substitui o peixe por uma leguminosa que lembra o feijão. Custa apenas 2 soles e é vendido em banquinhas de rua.

Informações úteis

Como chegar: as ruínas de Chavín estão localizadas a 100 km de Huaraz. Quem tiver meio de locomoção próprio deve partir da capital de Ancash até Ticapampa e de lá seguir para o leste, sentido Huaripampa (a sinalização é boa). O trajeto dura de 3 a 4 horas e é recomendado encher o tanque antes de sair de Huaraz.

Custo: o ingresso ao sítio arqueológico custa 10 soles. Os tours básicos que partem de Huaraz custam entre 25 e 30 soles (não incluem almoço nem ingresso). Uma boa opção para economizar em alimentação é levar lanches de Huaraz (comprar e preparar no dia anterior). Os restaurantes dos arredores das ruínas costumam cobrar preços “turísticos”.

Horário de funcionamento: todos os dias do ano, das 8 às 17h.

Site oficial: Sitio Arqueológico Chavín de Huántar

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2 ideias sobre “Visitando Chavín de Huántar”

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