Busto de Guayasamín exposto na Capilla del Hombre

Capilla del Hombre: a obra-prima de Guayasamín

Localizada em Quito, a Capilla del Hombre é a obra máxima de Oswaldo Guayasamín, considerado o maior artista equatoriano de todos os tempos. É uma homenagem ao ser humano, especialmente à luta e sofrimento do povo latino-americano. Este projeto foi considerado prioritário para a Cultura pela UNESCO e como Patrimônio Cultural do Estado Equatoriano pelo governo do país.


Uma templo para a Humanidade

Guayasamín soube representar como poucos os sofrimentos e angústias do ser humano. Suas obras são fortes, marcadas por traços de rebeldia e protesto social.

A ideia de construir uma espécie de “capela” para reverenciar o homem pode ser entendida também como uma magistral ironia. Enquanto se valoriza a luta do homens e mulheres pela sobrevivência, toda sua Obra critica o sistema que a própria Humanidade permitiu que fosse estabelecido.

Fachada exterior da Capilla del Hombre
Fachada exterior da Capilla del Hombre

No total são quase 4.000 obras autorais e de terceiros, divididas em 3 coleções: Arte Pré-colombiana, Arte Colonial e Arte Contemporânea. Dentro do museu encontra-se a Chama Eterna pela Paz e Direitos Humanos. Do lado de fora, a Árvore da Vida, onde descansam os restos mortais do artista.

A construção foi iniciada em 1996 e só teve sua inauguração realizada em 2002, após a morte do artista. Atualmente avança o projeto de um prédio com fachada de vidro que abrigará grande número de obras mantidas fora de exposição.

Quem foi Guayasamín

Nascido em 6 de julho de 1919 em Quito, Equador, foi o mais velho de 10 irmãos em uma família humilde. Sua mãe faleceu jovem e seu pai – tratorista e motorista de táxi -, cobrava de Oswaldo Guayasamín um comportamento de criança “normal”, como de seus irmãos.

capilla2-e1494000095657-blackwhiteGuayasamín, no entanto, não queria aprender uma profissão técnica. A pobreza da infância deixou-lhe uma marca profunda na personalidade, aguçando sua sensibilidade de artista. Aos sete anos começa a pintar suas primeiras obras, retratando os professores. Em certa oportunidade um deles, sentindo-se ofendido, chega a dizer que Guayasamín deveria ser sapateiro, por “não servir para nada”.

Com a desaprovação da família e dos professores do ensino básico, em 1932 inicia os estudos na Escola de Belas Artes. Logo torna-se o melhor aluno e ao mesmo tempo o melhor professor, com quadros que impactam a todos.

Seu primeiro encontro com a crueldade da vida – o assassinato de um amigo de bairro – resulta no quadro “As crianças mortas”. Nele apresenta a cena brutal de um grupo de cadáveres amontoados em um rua de Quito. O artista tinha apenas 13 anos quando o pintou.

 

Los Niños Muertos, pintado quando Guayasamín tinha apenas 13 anos
Los Niños Muertos, pintado quando Guayasamín tinha apenas 13 anos

Desde então assume uma posição crítica frente às injustiças de uma sociedade que discrimina os pobres, índios e negros. Também são eventos marcantes de sua etapa formativa como artista a Crise dos anos 30, a Revolução Mexicana e a Guerra Civil Espanhola. Tudo isto faz com que floresça sua ideologia.

Ainda que nunca tenha se filiado a nenhum partido político, sempre milita nas causas de solidariedade com os povos oprimidos, na luta pela integração latino-americana, contra as ditaduras e contra os abusos e agressões dos países imperialistas.

Em 1941 ganha o prêmio Mariano Aguilera, o primeiro de relevância em sua carreira. Em 1955 recebe o prêmio da Bienal de Barcelona e em 1957 da Bienal de São Paulo. A esta altura já é um artista de reconhecimento internacional.

Realiza uma viagem de 2 anos entre o México e a Patagônia (me identifico!), na qual faz anotações e desenhos que resultam em sua primeira série de 103 quadros intitulada Huacayñan, que em quéchua significa Caminho do Lamento. Ao longo de sua vida viaja a vários lugares do mundo como Estados Unidos, China, Índia, União Soviética, Egito e toda Europa. Em Cuba nasce uma grande amizade com Fidel Castro, ao qual retrata em muitas ocasiões.

Alguns dos retratos de Fidel realizados por Oswaldo Guayasamín
Alguns dos retratos de Fidel realizados por Oswaldo Guayasamín

Aliás, Guayasamín retratou diversos grandes personagens de seu tempo: Juan Ramón Jiménez, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Benjamín Carrión, Gabriel García Márquez, Ernesto Cardenal, Danielle e François Miterrand, o rei espanhol Juan Carlos e a princesa Carolina de Mônaco, entre outros.

Em 1976 cria a Fundação Guayasamín, ao lado dos filhos e através dela doa todo seu patrimônio ao Equador.

Falece em 10 de março de 1999, sem ver finalizada sua obra mais importante.

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Busto de Guayasamín exposto na Capilla del Hombre

Informações úteis

Endereço:
Mariano Calvache E18-94 y Lorenzo Chávez.
Bellavista. Quito – Ecuador.

Como chegar : a pé, subindo a rua Bosmediano (bastante inclinada) ou em ônibus, linha Vencedores do bairro Bellavista.

Horário de funcionamento: das 10h às 17h, de terça a domingo, não abre nos feriados.

Custo: o ingresso custa 8 dólares, meia-entrada para estudantes, idosos e pessoas com deficiência.

Duração: a visita completa guiada dura cerca de 2 horas. A entrada ao museu Capilla del Hombre inclui visita guiada (em inglês e espanhol), abrangendo também a Casa-Museu Guayasamín, onde o artista viveu seus últimos anos. Os grupos saem a cada 20 minutos.

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