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Pedalando com Amyr Klink

UM: já parou pra pensar que a “vida dos sonhos” pode não ser exatamente como se apresenta nas redes sociais?

DOIS: você tentaria vivê-la mesmo assim ou é mais confortável deixar as coisas como estão?

Pergunto porque, vez por outra, alguém me diz “quero ser você” ou ” me empresta sua vida”, mas basta conversar um pouco pra perceber que a pessoa – UM – se baseia apenas nas fotos que mostram a parte moleza de minhas viagens e – DOIS – está presa na velha armadilha das desculpas convenientes.

É o seu caso? Você sempre sabe o que responder quando alguém te faz um convite fora do roteiro?

Se for, vou lhe contar porque – UM – eu acho que esse papo de vida dos sonhos é uma ilusão e – DOIS – você deve correr atrás dos sonhos mesmo assim.

Banheiro do Parque Municipal de Cobourg, Ontário.

 

Uso como argumento um exemplo bem pessoal…

Pois bem, sempre admirei o Amyr Klink, o famoso navegador brasileiro que entre outras façanhas foi capaz de cruzar o Atlântico em um barquinho a remo e passar um ano sozinho da Antártida, sendo sete deles encalhado. Pra mim, Amyr era uma espécie de entidade sobre-humana capaz de fazer aquilo que os mortais apenas podiam imaginar. Ele tinha a vida dos sonhos, por consequência, eu acreditava que Amyr era dotado apenas de virtudes.

Bom, isso foi até descobrir lendo seus livros e alguns relatos de outros viajantes que meu ídolo era, na verdade, um doido como eu, mas certamente muito mais esforçado e persistente. Fiquei até perplexo quando descobri que ele tinha muitos dos problemas de convivência que eu achava que eram exclusividade minha.

Resumindo, Amyr Klink era mortal. Extinguiu-se naquele momento a última desculpa que eu tinha pra não sair fazendo coisas impensáveis eu também.

Depois de algumas sandices menores, achei que eu já estava pronto pra extremar minhas escolhas de vida e comprei uma bicicleta. Isso foi em Kingston, Canadá. No mesmo dia comecei a pedalar em direção à costa oeste sem saber onde aquilo ia terminar (spoiler: San Francisco, Califórnia).

Aí entra o aspecto UM deste pequeno texto realista. Para muitos eu estava vivendo a vida dos sonhos, embora na maior parte dos dias eu estivesse indo dormir fedido, com fome e frio. E o pior nem era isso, pois, pra completar, eu estava sozinho! Só quem já dormiu sozinho, fedido, com fome e frio durante quase dois meses pode entender do que estou falando.

No começo, era grande a sensação de não pertencimento. Às vezes me sentia um fantasma invisível por onde passava e às vezes parecia que minha única função no mundo era atrapalhar o trânsito. Nesse momento, já perdendo um pouco o fio da lucidez, comecei a pedalar (ao menos imaginariamente) ao lado de Amyr Klink.

As coisas melhoraram muito a partir daí. Amyr me entendia e sabia que você só consegue ter a beleza das grandes paisagens quando aceita a dificuldade de chegar até lá. E se ele podia ter um cardume de estimação no meio do oceano, eu também poderia ter uma companhia fictícia e uma bicicleta com sentimentos. Louco com louco se entende.

Aspecto DOIS: dia a dia, as dificuldades que eu enfrentava se tornavam mais leves ao passo que eu percebia que algo maior estava acontecendo comigo durante aquela aventura. Era uma transformação pessoal muito além da simples viagem. Apesar das agruras, a solidão da estrada havia me presenteado a introspecção que eu precisava para rever meus valores e traçar novos projetos de vida. Minha mente precisou se esvaziar completamente de preocupações banais para focar no que realmente importava. Sem fórmulas mágicas e sem vitimismo, eu compreendi que já estava vivendo meu sonho desde o instante em que comecei a praticar o que admirava nos outros.

Talvez pela primeira vez na vida eu estava verdadeiramente realizado. Diante de mim, a escolha consciente entre o caminho da conveniência e o da aventura.

E pra mim estava claro que em mil vidas, eu escolheria sempre a última.

Obrigado, Amyr!

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Nota 1: cicloviagem solo realizada entre maio e julho de 2017, de Kingston, Ontário, Canadá, a San Francisco, Califórnia, Estados Unidos da América.

Nota 2: Compartilhamentos nas redes sociais serão sempre bem-vindos (use os botões abaixo para Facebook, Twitter, Google+ ou para enviar por e-mail para algum amigo aventureiro). Não reproduza parte ou totalidade desta página sem citar a fonte. Muito obrigado por chegar até aqui! <3

Frostbites

Passava um filme em minha mente enquanto eu perdia uma a uma as vinte e uma gramas atribuídas à alma. Cenas entrecortadas das aventuras vividas, perrengues e risadas, corações partidos e amor de família. Faz sentindo, pensei. Antes de ir embora, um presente de despedida resumindo todos aqueles vídeos que jamais editei e também aqueles que nunca foram registrados. Ao menos viver valeu a pena.

Surgiu, então, a imagem deste amanhecer e tudo se deteve por um breve instante antes de recomeçar em câmera lenta. Diante de meus olhos, meu último crepúsculo tinha a cor púrpura no horizonte. Que paradoxo… é quase bonito morrer assim.

Senti uma paz profunda enquanto meu corpo congelado jazia dentro da barraca. O frio que me matara já não importava mais. Agora nada mais importava senão a beleza do infinito.

Como mágica, o púrpura fez-se rosado que fez-se alaranjado e sobre ele um azul claro e depois escuro. Era a coisa mais linda que eu já havia visto. Quase sem vínculo com a matéria, arrepiei a alma, olhei para o lado e encontrei a silhueta negra da Pedra Branca do Araraquara.

Sim, eu sei onde estou! Eu lembro, acampei aqui ontem à noite!

Examinei minhas mãos para confirmar o que eu já supunha. Eu havia morrido de hipotermia. As pontas negras dos dedos denunciavam o estágio irreversível de necrose. Maldito seja o destino, eu não devia partir tão cedo. Como pude permitir isso! Meu amor pela altitude interrompido sem um Aconcágua, sem um Kilimanjaro, sem nem chegar perto do Everest. Maldita seja esta injustiça e a ironia de já não ser justamente no lugar mais bonito. Eu me recuso a aceitar esta morte patética. Eu me nego a morrer.

Na película da minha vida, em questão de poucos quadros todo meu deslumbramento transformou-se em uma revolta sem tamanho. Urrei com as esquálidas forças que ainda tinha para não sucumbir por uma causa tão idiota. Existe alguém aí? Devolva-me a vida! Eu ainda tenho muito o que fazer por aqui. Por favor, não posso ir-me agora.

Restavam poucas gramas. A alma se separava definitivamente do corpo quando subitamente acordei. Toquei o rosto com ambas as mãos de mornas para frias. O que está acontecendo? Liguei a lanterna e para meu alívio não havia sinal algum de necrose. Estava frio, mas um frio suportável como tantos outros que eu já havia enfrentado.

Tudo não passava de um terrível pesadelo de congelamento. Um sonho ruim e nada mais. Que alívio… acho que sequer amanheceu.

Desliguei a lanterna, abri a barraca para conferir o céu, esfreguei os olhos. Fechei e tornei a abrir a barraca e os olhos. Incrédulo, dei um tapa no rosto e ri sem entender que sorte de delírio eu havia experimentado.

No horizonte infinito.

Diante dos meus olhos vivos.

Como um filme em câmera lenta.

O mesmo cenário do sonho…

 

Déjà vu

 

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Nota 1: este conto foi inspirado em um acampamento frio no cume da Pedra da Divisa, Garuva, Santa Catarina. Na ocasião, junho de 2018, a temperatura provavelmente chegou muito próxima de zero grau.

Nota 2: Compartilhamentos nas redes sociais serão sempre bem-vindos (use os botões abaixo para Facebook, Twitter, Google+ ou para enviar por e-mail para algum amigo montanhista). Não reproduza parte ou totalidade desta página sem citar a fonte. Muito obrigado por chegar até aqui! <3

Dicas para encontrar o melhor seguro viagem para o Peru

Apesar de não ser obrigatório, possuir um seguro viagem para uma viagem ao Peru é mais que recomendado.

A mudança na alimentação, as diferenças climáticas e até mesmo a qualidade da água podem fazer mal ao turista durante a estadia no país vizinho. Além do mais, nas regiões altas do Peru há o chamado mal de altitude, que pode causar desconforto no primeiro dia de aclimatação.

A contratação de um seguro viagem também é muito importante na hora de praticar atividades físicas durante a viagem, como no caso da Expedição Trotaméricas Huayhuash.

Para oferecer uma opção satisfatória dentro do perfil outdoor de nossos clientes, a Trotaméricas fez uma parceria com o maior buscador de seguros do Brasil: o Seguros Promo. Continue lendo Dicas para encontrar o melhor seguro viagem para o Peru

Check-list: o que levar para a travessia da Cordilheira Huayhuash

Salve, salve, amizade!

Este ano embarcaremos novamente para o Peru com o objetivo de percorrer a cinematográfica Cordilheira Huayhuash. Como o aventura durará 12 dias, é importante preparar a mochila com a ajuda de um check-list, para não deixar nada para trás.

E se você não tem algum dos itens abaixo, sem problemas!

Visite o site da Treme Terra, encha o carrinho e ganhe 10% de desconto na primeira compra!

Então, sem mais delongas, vamos para a lista comentada!

Para dúvidas, estamos disponíveis no Whatsapp +554792271001

Check-list para trekking
na Cordilheira Huayhuash

Vestuário*:

  • 1 jaqueta para frio extremo
  • 1 conjunto de capa de chuva resistente (jaqueta e calça)
  • 2 casacos fleece com densidade mínima de 230 g/m²
  • 1 calça fleece com densidade mínima de 230 g/m²
  • 3 camisetas térmicas segunda pele de manga longa
  • 3 calças térmicas segunda pele
  • 3 camisetas de manga curta de material de rápida secagem
  • 2 calças para caminhada ou calça-bermuda com zíper
  • 1 par de luvas
  • 5 cuecas ou pares de lingerie

* Preferência por materiais sintéticos de secagem rápida.

Cabeça:

Pés:

  • 1 par de botas ou tênis de trilha previamente amaciados
  • 1 par de tênis leves de caminhada
  • 1 par de chinelos
  • 3 pares de meias para trekking sem algodão
  • 2 pares de meias adicionais
  • 1 par de meias quentes exclusivas para dormir

Hidratação:

  • 1 garrafa de 1 l ou mochila de hidratação
  • pastilhas purificadoras de água (opcional, a água para beber será fervida e entregue todas as manhãs para os expedicionários encherem suas garrafas)

Dormir:

  • 1 saco de dormir com temperatura de conforto de 20 graus Celsius negativos (item importantíssimo! um saco de dormir frágil pode colocar sua vida em risco)

Higiene / Cuidados pessoais:

  • 1 escova de dente, creme dental e fio dental
  • 1 tubo de 100 ml de sabonete líquido.
  • 1 tubo de 100 ml de álcool gel
  • 1 desodorante
  • 1 rolo de papel higiênico envolto em sacola plástica
  • 1 pacote de toalhas umedecidas
  • protetor solar
  • protetor labial (para quem tem tendência a ressecar os lábios)
  • repelente contra insetos
  • medicamentos de uso contínuo (quando necessário)

Documentos:

  • RG ou Passaporte válido (atenção: CNH não é documento de viagem!)
  • Certificado de Vacinação contra Febre Amarela (atualmente não é exigido, porém a legislação peruana pode mudar até setembro)
  • Passagens impressas ou salvas no celular
  • Dinheiro em espécie
  • Cartão de crédito internacional desbloqueado (opcional)
  • Cartão de crédito pré-pago estilo Visa Travel Money (opcional)

Outros itens:

  • 1 mochila cargueira de até 65 litros ou bolsa de transporte estilo duffel bag (será transportada em burros)
  • 1 mochila pequena ou de ataque de até 30 litros (será carregada pelo participante com seus itens de uso diário)
  • 2 bastões de caminhada  (item importantíssimo, pode ser alugado em Huaraz ou substituído por um cajado improvisado)
  • câmera fotográfica e/ou celular, carregadores correspondentes e material para protegê-los de água (opcional, porém altamente recomendado)
  • 1 saco plástico grosso com volume suficiente para embalar toda sua roupa e que sobre espaço para fechar
  • 1 saco plástico grosso com volume suficiente para embalar seu saco de dormir e que sobre espaço para fechar

 

E aí, já confirmou sua participação?!

Trekking Cordilheira Huayhuash – Novos grupos para 2019


Trekking
Cordilheiras Branca e Huayhuash
(Peru)


Próximo grupo: JULHO DE 2019

Envie um e-mail pra contato@trotamericas.com
para receber material de pré-lançamento

 

Acampamento Carhuacocha

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Tipo de expedição: trekking em alta montanha (de 3.500 a 4.850 metros sobre o nível do mar)

Duração: 12 dias, incluindo aclimatação

Distância: aproximadamente 80 km

Nível de dificuldade: moderado

Pré-requisitos:
(1) ausência de doenças cardíacas e respiratórias;
(2) disponibilidade de tempo e disciplina para realizar condicionamento físico nos três meses que antecedem a expedição;
(3) paixão por atividades ao ar livre e espírito de equipe.

Número de participantes: mínimo de 12, máximo de 18

 

Francisco Mayhuay e Rafa Trotamundos, no pico do Nevado Mateo (5.150 msnm), próximo a Huaraz. Arquivo pessoal.
Francisco Mayhuay e Rafa Trotamundos, no pico do Nevado Mateo (5.150 msnm), próximo a Huaraz. Arquivo pessoal.

Quem é Francisco Mayhuay?

Francisco trabalha na indústria de aventura de Huaraz desde 1996. Nascido em família humilde, iniciou sua vida laboral na função de tropeiro (encarregado de levar os animais de carga em expedições de montanha), mas logo demonstrou interesse em aprender técnicas de montanha, primeiros socorros, atenção ao cliente e cozinha para acampamento. Profundo conhecedor da cultura peruana, tornou-se guia de turismo quando Huaraz ainda era uma cidade conhecida apenas por montanhistas profissionais. Fez muitos amigos ao redor do mundo e, depois de 18 anos trabalhando para agências locais, adquiriu experiência suficiente para iniciar sua própria empresa especializada em trekkings personalizados nas Cordilheiras Branca e Huayhuash: a Franpisco Adventure.

Quem é Rafa Trotamundos?

Montanhista, ciclista e corredor amador, Rafa é o idealizador do projeto Trotaméricas. Entre outras aventuras, já pedalou 2.500 km na América do Norte, trabalhou como guia de trekking na Nicarágua (América Central) e na Chapada Diamantina (Bahia) e viajou durante mais de um ano da Patagônia ao Canadá. É membro pioneiro da rede Couchsurfing, fala 5 idiomas e atualmente está escrevendo um livro de memórias com algumas de suas experiência de travessias em 38 países de 4 continentes.

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Capilla del Hombre: a obra-prima de Guayasamín

Localizada em Quito, a Capilla del Hombre é a obra máxima de Oswaldo Guayasamín, considerado o maior artista equatoriano de todos os tempos. É uma homenagem ao ser humano, especialmente à luta e sofrimento do povo latino-americano. Este projeto foi considerado prioritário para a Cultura pela UNESCO e como Patrimônio Cultural do Estado Equatoriano pelo governo do país.


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Como é mergulhar em Fernando de Noronha

Primeiramente, preciso dizer que mergulhar em Noronha foi uma das coisas mais fantásticas que já fiz na vida. Eu já havia nadado com arraias no Caribe. Já tinha dado de cara com tartarugas em diversos lugares do mundo. Na Indonésia, vi enormes cardumes de peixes coloridos e algumas moréias. Agora, ver tudo isso no mesmo mergulho, e ainda ser acompanhado por golfinhos no caminho, só mesmo em Fernando de Noronha.

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Em menos de 24 horas, o primeiro perrengue

Hoje dá até pra rir da situação, mas à época não foi nada engraçado.

No dia 19 de novembro de 2016, quando mal havíamos cruzado a primeira fronteira, nosso amigo de quatro rodas decidiu nos deixar na mão.

Isso mesmo: o Papa-Léguas (ou talvez Coiote seja mais apropriado) enguiçou pela primeira vez com menos de 24 horas fora do Brasil. Havíamos iniciado a viagem de carro apenas 1.093 km antes, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul.

Parecia pegadinha do Mallandro…

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